sábado, outubro 31, 2009

A.T.U.M.

Estou indo para o Comic Action Day, mas antes postando mais dois desenhos da Tina Tilanga quando mais jovem:

sábado, outubro 24, 2009

Mais Blogs

Matéria da Milena Azevedo do Asfixia sobre o FIQ.

O Grande Clã (agora com C) marcou presença no FIQ novamente, no stand do Quarto Mundo. Excelente trabalho, mantendo o nível do primeiro número. Aliás, convém também os ínumeros bons títulos do quarto mundo.

A revista Capitu do stand do Café com Nanquim, onde também se encontrava "Mariazinha em Verso e Prosa". E matéria do Universo HQ (curta menção ao Aurora que brilhou em nosso stand de "Quadrinhos Alternativos").

E o pessoal das Revistas Dependentes, nossos vizinhos, SAMBA e Mongoteca.

Blogueiro

Monstro Blogueiro:
Revisitando desenho antigo.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Action Comics Day

Evento em Contagem:

4, 3, 2, 1,..., Todo Mundo Lendo A.T.U.M.

Sol sobre amsterdam em cores vibrantes de HQ.

Todo mundo lendo ATUM (para conferir a história da foto abaixo, clique aqui e nos comentários desse post aqui).

Zines Legalzines

Pessoal divulgo aqui um zine que comprei de última hora e tirei para ler hoje depois de um dia de trabalho cansativo, em que tenho de trabalhar e estudar mais agora pela noite. Trata-se do Ryotiras. Valeu minhas horas de descanso, é uma proposta muito boa e um zine muito leve de se ler, fui lendo as tirinhas saltando as páginas, as vezes no fim, hora no meio. Só depois que descobri que o Ricardo Tokumoto (o Ryot?) é daqui de Belo Horizonte, ou pelo menos assinou seu editorial aqui em nossa cidade. Aliás, editorial legal também, não tem faltado humor nos quadrinhos, mas esse tipo de humor do Ryot Iras é algo que temos visto pouco. Parabéns aos colaboradores pela boa surpresa e repasso a dica, o site é também muito legal. Já sou fã, considero forte candidato a um dos melhores zines da FIQ.

Ah! o Ryotiras montou seu "stand" improvisado em uma das mesinhas da praça do Villa Café e comprei nos acréscimos do segundo tempo, :)
Raça!

Outra dica legal é a revista independente Talismã editada pelo Erick Azevedo e coordenada pelo Guliver, amigos da Casa dos Quadrinhos, uma antologia com diversos tipos de traços e histórias, onde há também humor e participam vários autores (um deles é o próprio Ricardo aí de cima). Erick fez até uma homenagem a Oesterheld e Breccia, icones do quadrinho argentino (para ver matéria que viz sobre os quadrinhos portenhos clique aqui). As histórias estão muito criativas, em particular gostei da "Síndrome de Pinóquio" do Manguinha, o legal como a história prende mesmo não tendo ação, isso mostra que há várias boas maneiras de se fazer quadrinhos. Também destaco o Dádiva com roteiro de Erick e desenho de Marcelo Queiroz. Mas citar apenas alguns é uma injustiça com os demais, estão todos de parabéns. Bom, sem mais delongas espero que curtam e caso tenham interesse dêem uma olhada no site do LineArt Studio. É isso aí ;)

A foto aí debaixo é do blog do Eric Ricardo, que alías está bem legal para conferir mais coisas sobre a FIQ.

sábado, outubro 17, 2009

Sétimo Dia: último

O sétimo dia foi último e o que mais deu pra aproveitar para puxar conversa com os demais quadrinhistas. Após esse evento percebi que há dois níveis de participação nesse evento, um é daquele que o vive, ou seja o que vai lá, reporta, enche patricamente todas as palestras e mesas e vê com detlhalhes as exposições e programação. Até então eu só havia participado dessa primeira forma, mas nesse participei no nível daqueles que fazem o evento, ou seja, estão no outro lado da trincheira, batalhando para expor o trabalho. Bom, é muito difícil conciliar esses dois níveis, nessa última edição não participei tanto quanto gostaria do lado de 'assistidor' e comentarista, mas estar com uma banca foi uma forma de participação que muito me agradou.

De todo modo fiquei pensando se é assim que eu quero aproveitar as próximas edições. Eu realmente gosto de assistir as mesas e até teorizar, gostaria até de participar como palestrante ou mediador, algo assim. Como expositor em stand, foi legal, mas não sei se exatamente a minha praia. É muito bom poder curtir e ninguém melhor do que nós mesmos para divulgar nosso trabalho, mas creio que já no sétimo dia eu não estava fazendo esforço para que os passantes notassem o zine A.T.U.M. desenhei bem mais do que nos outros dias. E se as pessoas passavam e não vinham ver, não liguei muito...

Foi bom também, apareceram amigos para dar uma visitada por lá e mostrar trabalhos e comentar sobre o que estavamos expondo. O amigo Carlos Henrique que é um caricaturista de mão cheia e teve o trabalho selecionado no 1º Salão de Humor de Belo Horizonte. Também me chamou atenção um trabalho deixado dias antes pelo Camilo de Caratinga: "O novo Humor de Minas", muito interessante com trabalhos interessantes do tradicional, mas agora um pouco ralo humor mineiro.

O que me puxa uma conversa que tive com o Ricardo Luiz Ferreira no final daquela tarde, um desenho que remete ao antigo humor de Henfil e companhia. Ricardo, deixo aqui minhas palavras de incentivo ao seus desenhos. O blog do Ricardo está linkado aí acima e nos links desta página, e os desenhos ao lado são dele.

Em um evento de quadrinhos desse porte, nós cartunistas nos sentimos até um pouco diminuidos. Depois de ver a obra de arte dos chineses que postei abaixo e ver os desenhos simples de poucas linhas dos cartuns, nos dá um pouco de vergonha vira-lata na qual dizemos para nós mesmos que não sabemos desenhar. Mas no fundo sabemos que não se trata disso, os cartuns irão dar uma revirada.

Os cartunistas que representaram a categoria no evento estavam, Duke, Adão Iturrusgarai, Liniers e o mestre Canini. Além de outros interessantes que participaram. Alguns da revistas dependentes são bem cartunescos por exemplo.

A A.T.U.M. é cartum e até rima, mas é um cartum com fôlego de quadrinho e não de apenas uma piada. Por falar nela até que vendemos bem, estou conferindo aqui nosso estoque, esgotamos as 50 Atuns nº, sobraram apenas 3 das 53 nº 2 e 48 das 82 A.T.U.M. nº3. Aos amigos que procuraram pela quarto e último exemplar aguardem um pouco para que a saga de Edu Caray se feche.

Os colegas de stand venderam todos muito bem, deixo aqui meus agradecimentos ao Oliver Borges e Washington Filho, que vieram direto de Salvador para prestigiar o evento em Belo Horizonte e sem os quais o stand de "Quadrinhos Alternativos" não teria se segurado devido ao inúmeros furos e emprevistos que nos ocorreram nos horários. Sem falar na visibilidade e qualidade do trabalho. Foi incontável o número de visitantes que chegaram principalmente para ver o aurora.

Agradeço ao Dola, pelo entusiasmo e engajamento, creio que era o nosso mais talentoso e inteligente vendedor, Dola vendia bem até o trabalhos dos colegas, se bobear ele venderia bem até trabalhos das bancas concorrentes, hehehe.. O KHneira zine fez um combo imbatível em tosqueira junto com o A.T.U.M.

Ao Danilo Aroeira que colaborou em muito para atrair atenção graças a qualidade e profissionalismo de seus desenhos e a qualidade das caricaturas e desenhos feitos na hora, que atraiam grande atenção do público. Além de ter nos presenteado com experiência de ter participado da edição anterior do evento.

Agradeço ao Rafael Senra que chegou na quarta, mas deixou conosco o excelente zine Ana Crônica, o qual eu li e achei bem legal. Legal também o espírito desprendido do Rafael, ele quase não ficou lá no stand, o que estivesse vendido era lucro quase igual ao de um sincero agradecimento. Se mostrou surpreso com as 17 vendas até domingo a noite. E olha que depois vendemos uns 3 a 5 Ana Crônicas (lembre-nos disso Rafael).


No mais, agradeço ao Wellington Santos do fanzine vulto que desde o começo demonstrou o interesse em participar, mesmo com as limitações do trampo e de morar longe. E foi o cara que mais trouxe fanzines na conta certa: "15 pacotes com as 3 edições de O Vulto". Venderam-se todos! Para ser exato, parece que um pacote foi perdido, o que é culpa nossa pela desatenção. O Leandro, também da A.T.U.M. merece todos os agradecimentos que mesmo com todos os percalços, pôde participar conosco e levantar nossa banca, com altos desenhos e caricaturas (Pô, tenho de lembrar o Leandro de tentar fazer umas caricaturas minhas onde eu esteja mais bonito, assim, ninguém vai querer autógrafo e é possível que até minha namorada desista por conta de tamanha feiúra). Agradeço também à Dandara Palankof que é amiga de um seleto grupo de discussão na internet sobre quadrinhos e demais assuntos: o Geek Ones (agora denominado Modinhas). A Dandara fez uma ótima cobertura para o site eletrônico da revista Zé Pereira. Valeu a todos, aos amigos e familiares que vieram nos prestigiar.

Sexto Dia: um domingo no parque.

O domingo teve muito movimento em nosso stand. O curioso é que eramos um dos poucos stand fazendo caricaturas. O pessoal da casa dos quadrinhos estava fazendo algumas demosntrações. Mas o nosso preço era bem em conta, R$ 5,00 reais, e a proposta era do Danilo, que curte mais esse exercício e tem mais a manhã com caricatura. Acontece que no domingo o Danilo não pode ir e muitas das pessoas que vinham do parque estavam bastante interessadas nos desenhos e perguntavam a toda hora se o rapaz das caricaturas não iria chegar.

Eu e o Dola, ficavamos lá dando as resposas negativas. Teve um momento em que cansado de dar respostas negativas decidi que eu poderia atender aos pedidos. Comecei fazendo desenhos realistas, não propriamente caricaturas. Mas teve algumas versões em quadrinhos e até uma em Mangá, que gostei bastante de ter desenhado.

Apesar de ser um bom exercício de observação, não acho muito bacana fazer caricaturas pois é uma responsabilidade e chegou um momento onde a coisa estava virando uma linha de produção.

Mas havia um aspecto que eu não havia percebido que é o do contato humano. Muitas pessoas querem um registro além do fotográfico, alguns queriam uma versão um pouco diferente para eles mesmos, outros queriam mesmo era estar em contato com seu próprio desenho, ou obter um pouco de atenção e alguém que as olhasse. Vendo por esse lado, o trabalho de caricaturas foi recompensador, mesmo que meu desenho não esteja à altura das inúmeras necessidades daquelas pessoas, foi para mim uma honra e esse lado foi revelador e mostrou para mim que há algo mais do que simplesmente retratar as pessoas por grana.

Teve um desenho que ficou tão pouco profissional que nem cobrei, já era tarde. O Leandro é bom caricaturista para pegar traços marcantes das pessoas e entrou também na onda das caricaturas atendendo ao pessoal. Agradeço aqui a todos que nos escolheram para fazer os desenhos, grande abraço.


Fora isso, o domingo foi de bastante movimento, consegui ver algum pedaço de uma ou outra palestra, mas não tanto quanto gostaria. Tirei um tempo para ver a exposição de quadrinhistas franceses e a dos chineses e peguei o final da palestra de Benjamin da Xiao Pan (primeira figura). Achei os desenhos dele fantásticos e foi uma das melhores exposições do FIQ. Na exposição havia também vários outros artistas do chamado Manhua. Alguns usam nomes que nos parecem mais pseudônimos, como o Pocket-Chocolate da segunda e terceira imagens, talvez seja uma tática para escapar da censura da internet existente na China, usar nomes ocidentais e genéricos. Muitos deles são difíceis de se achar algo na internet.

No sábado apoveitei também para ver a exposição dos 70 anos do Batman, mas essa tive de conferir correndo. O Olavo tirou algumas fotos, colocarei aqui quando eu tiver acesso.

domingo, outubro 11, 2009

Quinto Dia: Sábado de Sol

O dia de sábado começou bonito com um sol prometendo não estragar a festa. Foi um dia, particularmente interessante, tivemos convidados legais participando e várias mesas diganas de nota: Harder, Grampá, Ivan Reis que eu e o amigo Olavo comprimentamos lá, Eddie berganza analisou portifólio do pessoal dos american comics style, Cris Peters e Craig Thompson ao final da noite.

Muito movimento, a caminho do banheiro encontrei com o amigo, professor e cartunista Lucas Libânio, ele estava desenhando uma história em sequência onde cada artista desenha sua página dando continuidade à página anterior: "O crime do Teishouko Preto" (visitem o blog do Mario Cau para dar uma olhada e ficar a par).

A historinha já está na página 300 e poucos. O Lucas desenhou o episódio 299 e o Lelis, mineiro de Montes Claros (vou passar lá nessa cidade semana que vem), desenhou a 300. Eu fiz a continuação nº 301, onde a personagem Fumiko da história virou uma grande empresária do ramo de Linguiças. Os artistas que quiserem participar desse movimento podem falar com o Gualberto da HQ-MIX de São Paulo. Uma honra poder participar ao lado de tantas feras.

Mais honra ainda: enquanto eu desenhava lá na tenda Gedeone Malagola, apareceu Craig Thompson, estrela da noite e começou a autografar Retalhos, ele até perguntou o que estavamos fazendo. Pensei em pegar o exemplar que eu havia levado para ele autografar (foi a Lioca que comprou pra mim no dia dos namorados), mas decidi ficar na minha desenhando lá, coloquei até uns fones para abstrair do movimento. Apareceu muita gente, talvez eu tenha aparecido em algumas fotos ao lado do Craig para comprovar que não estou mentindo, :) mas acho que os fotografos evitaram pegar um desenhista qualquer lá que fica usando uma camisa de peixe.

Bom, finalizado o desenho, transformei Teishouko em Teuchoko em uma alusão a um chocolate preto das indústrias Fumiko que o Lelis havia idealizado. Acho que ficou legal. Apareceu um pessoal para conversar o que foi interessante, Rafaella até me pediu um cartum, hahaha, estou me sentindo importante. Chegou o Lúcio daqui de BH para mostrar seu portifólio muito legal e o amigo Rubens que é economista mas tarado por comics em geral, lê muita coisa, até a A.T.U.M.

No fim da noite tentei descolar um autografo do Thompsom, pedi para a Dandara levar o meu livro pois a fila estava grande. Não deu, também não deu para entrar no fim da fila que já estava fechada, choramos um pouco mais lá, mas o produtor do cara foi irredutível, bom dou razão. Mas interessante, depois que o Craig saiu do lugar onde eu estava desenhando eu vi uma caneta diferente caída no chão, parece muito com as canetas com que ele está fazendo as dedicatórias, porém branca. Tentei devolver para ele pondo de volta da mesa, ao seu lado, mas ele não pegou de volta. Talvez a caneta não seja dele mesmo não, de todo modo fiquei com aquela caneta esquecida lá.

(Na foto aparecem Lucas Libanio de camiseta laranja da Casa dos Quadrinhos, eu de preto, e o Gual, da HQ-Mix de Sampa, o Lelis fez o nº 300, fotos do FLICK-R).

Quarto dia: piu crescenti

Na sexta, a FIQ teve seu mais movimentados dias até então, não sei se já escrevi isso aqui, mas estou perdendo todas as oficinas para qual me increvi, a de sexta era uma em que eu estava particularmente muito interessado, pois era sobre a construção de um roteiro de ilustração e o contraste entre Realista x Humor. Com o Juan Dias Canales, roteirista de Blacksad, que é uma obra que eu particularmente gosto muito. Alguns dizem que o desenho de Guarnido se sobressai e que o roteiro é fraco. Mas não tenho essa opinião, eu acho o roteiro bem interessante, pois um tanto bem humorado e com elementos que diferenciam Blacksad de outras histórias, embora use de lugares comuns, mas acho correto seu emprego.

Para as mesas também não há tempo, ficamos muito tempo nos stands, havia a comemoração dos 70 anos do Batman, o Adão Iturrusgarai e a mesa "Quadrinhos na Educação, da rejeição à Prática", o qual eu consideraria bem legal participar.

Para nós que ficamos nos stands o evento da noite foi a seção de autografo no stand dos "10 Paezinhos" a propósito do Lançamento do "Umbrella Academy" no Brasil, que teve o estoque de sexta esgotado (dá pra se imaginar então o que foi o movimento). Para nós isso foi uma externalidade muito positiva (jargão do economês), como estamos perto dos 10 paezinhos, nós pegamos a rebarba desse movimento. Mas a maioria nem desviou o olhar para os lados, o pessoal de Brasília, das Revistas Dependentes (da Samba que postei alguns dias abaixo) bem que tentou.

Foto1: Danilo, Oliver e Eu por Luiz Navarro

Foto2: Omelete.

sábado, outubro 10, 2009

Terceiro Dia: o show tem que continuar


Pessoal estou escrevendo sobre os dias mais recentes. Aproveito para passar o nome das revistas que estao tb la no nosso stand:

- Ana Cronica
- A.T.U.M.
- Aurora
- Benjamim e Peppe
- KHneira
- Overground
- Patacoada
- Tchurma
- Vulto

Alem de desenhos no local!!!

Teve tambem um lance onde o homem-galinha do pessoal da Revista Quase (ES) que estavam no stand das Revistas Dependentes lá do lado do nosso stand. O homem-galinha bicou a revista A Tchurma do Danilo Aroeira. Foto: Luiz Navarro, do evento.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Segundo Dia: O DILÚVIO!!!

ABSURDO é pouco para descrever o fim de noite do FIQ desta quarta feira dia 07 de outubro. Hoje choveu muito em Belo Horizonte, caiu muita água em pouco tempo. A Tenda Eugênio Colonese não aguentou e começaram a jorrar verdadeiras cascatas do teto de lona. Sorte que isso ocorreu já para o fim da noite quando a maioria do grande público que foi lá ver o Maurício de Souza já tinha deixado o evento.

Mas as cascatas da FIQ são uma tremenda Irresponsabilidade, um evento internacional como esse não pode passar por esse amadorismo, que vai desde a concepção arquitetônica não ter previsto o escoamento de água em caso de chuva e passa pelos bombeiros e que, em menor grau, passa até mesmo para nós participantes. "Não, assinamos um termo de compromisso?!" Não há nada lá previsto para esse tipo de perdas, isso é coisa que devemos exigir. Mas de todo modo, irresponsabilidade também porque estão expostos alí trabalhos valiosos, Grabriel Góes declarou com justificada indignação que os ORIGINAIS do Canini estavam expostos no chuvaréu.

Isso sem falar de vários outros artistas, a livraria leitura teve de fazer um mutirão para conter a enxurrada e salvar o seu acervo, que não vale pouco, o mesmo ocorreu conosco, que somos pequenos, mas também temos esforços e grana investidos no evento a qual tanto desejavamos colaborar e participar. Ao passar pelos participantes pertencia a todos a mesma cara exclamativa: "que vexame!" ou de "isso não pode estar acontecendo". Pois é, mas aconteceu.

Bom, como quadrinistas são geralmente pessoas que levam a vida de bem, havia os que pareciam estar achando tudo muito divertido: Jens Harder, da alemanha, filmava a cascata central com sua câmera digital. O pessoal do revista dependentes promoveu uma festa local já no final da chuva.




Bom, a vida segue, durante o dia todo o evento pareceu atrair bastantes visitantes e começaram hoje também as oficinas master, foi muito legal conhecer o excelente trabalho de Reinhard Kleist e saber o que ele julga importante nessa arte, assim como o trabalho de Jens Harder e o mercado de quadrinhos da alemanha. Kleist já produziu muito e seus trabalhos são de excelente qualidade, me chamou atenção o álbum Havanna, sobre ele como viajante em Cuba, que pelo meu viés de admirador da cultura cubana, resolvi colocar aqui para ilustrar o post.

Bom, Canine foi homenageado, basta ver se seus originais conseguiram ser preservados do desastre, Mauríciou garantiu a presença de peso do público. Quando eu cheguei havia um bolo tão grande de gente a sua volta que nem consegui ver bem quem estava lá no meio, depois que eu o vi lá, sempre simpático e autografando exemplares junto com outro time de autores.

Bom, pra finalizar, a previsão do tempo para Belo Horizonte. Chove até sexta, a partir de sábado à segunda começam só as nuvens. Boa sorte para nós todos, tragam a arca, nós somos os bichos!

Primeiro dia da 6ª FIQ de BH


São 1:25 da madrugada e me encontro acordado, fui deitar cedo, as 23 e pouco, mas não preguei. Nessas situações, é melhor fazer alguma coisa do que esperar o sono chegar. Com certeza tem haver com os inusitados acontecimentos da feira e do fim de noite que dariam muito bem um roteiro de quadrinho à la Harvey Pekar. Resolvi então redigir como foi o nosso dia. A versão gibi, fica para daqui a algum tempo.

Mas antes deu entrar em minhas próprias intempéries, vamos falar do evento. Para quem está expondo esse não é o primeiro, mas sim o segundo dia, mas va lá, foi hoje mesmo que começou o movimento, e começou bem. O Leandro me contou que pela manhã o volume de pessoas ficou maior do que ele esperava, além do movimento de alunos das escolas, o que é o natural para o horário.

Quando eu cheguei ao evento às 16:00 estava impossível de estacionar do lado de fora e lá dentro da tenda Eugênio Colonese (Homenagem ao grande desenhista nacional que faleceu ano passado) estava bem movimentado. O stand da "Quadrinhos Alternativos" que é onde a A.T.U.M. está morando estava particularmente cheio. E nós lá da porta, Quarto Mundo, Revistas Dependentes e Alternativos, estamos fazendo sucesso. Vendendo?! Nem tanto, mas as pessoas tem parado para conhecer e olhar...

O movimento grande da tarde deu uma esfriada com o vento e a chuva que chegou lá para 16:40, nossa tenda que estava bem agradável, perto do ventilador, começou a ficar úmida e com goteiras, as revistas sofreram um pouco com as "zonas úmidas" e começaram a dobrar. Teremos de arranjar aqueles desumidificadores do tipo dos que são usados pelos músicos para guardar à seco seus instrumentos.

No mais, apareceram muitos amigos e curiosos, e conversei sobre o trabalho de outros quadrinhistas que estão participando. Sobre as exposições visitei o inusitado hipermercado ferraille, uma paródia com os itens de consumo que vemos comumente nos supermercados, muito legal, não conto aqui que produtos são esses pois anteciparia as brincadeiras, fica a dica.

Sobre as palestras, assisti a mesa de "Animação e Cinema" em que participaram Lancast do Rio Grande do Sul que ressaltou como essa área está sendo demandada no Brasil com o crescimento de pequenos estúdios de animação produzindo mais e mais, e para o mundo inteiro. Lancast tocou em um velho problema brasileiro: a falta de qualificação da mão de obra, e da formação e instrução técnica de gente já preparada. Os bons animadores estão tendo de trabalhar muito para cumprir as demandas. Bom, não só na área de animação que é assim, o Brasil sempre ficou à mercê de que os talentos se fabricassem sozinhos. Bom, isso pode ser insuficiente e ele tem razão.

Guy Delisle, o outro participante, é canadense de Toronto com uma experiência internacional na França, Coréia do Norte, Vietnam, China, interessante. É um caso um pouco diferente ao Brasileiro, Delisle apontou para ele o paradoxo de serem formados muitos animadores na França, mas de não haverem mais grandes estúdios para empregá-los. Ou seja, formam-se animadores para que cada um deles tenha seu próprio estúdio, o que é um contrasenso, já que nesse caso não há ganhos de escala e da formação de um time, já que a animação é essencialmente um trabalho em equipe. Mas não sei como ele vê o fato de que agora pequenas equipes podem produzir mais e mais rápido do que 100 animadores (chutando) de equipes antigas.

Bom sobre a relação animação e quadrinhos acho que a mesa foi um pouco mais fraca, pois os participantes ressaltaram mais a relação "quadrinho" -> "animação" e ficou de lado a relação "animação" -> "quadrinho" que hoje é uma direção também muito importante dessa causalidade. Por exemplo, um quadrinista que tem noção de movimento, quadros chave e maleabilidade dos desenhos ganha muito mais expressividade em seus quadrinhos. Alguns desenhistas fazem essa transição com incrível desenvoltura, um exemplo é o Benoit Sokal, que esteve na FIQ passada. Delisle foi então injusto com seus patrícios franceses ao dizer que está faltando a conversa entre os dois lados. Não é de todo verdade, porém tendo a concordar um pouco com ele.

Delisle escreveu também quadrinhos de sucesso: Crônicas Birmanesas e Pyoyang, quando ele trabalhou como animador na Coréia do Norte. Eu quero conferir esses quadrinhos já de algum tempo, acho que não erro em sugerir a compra.

Lancast lembrou a importância de um bom roteiro. Um desenho tosco sobrevive com um roteiro bom, mas os mais exuberantes desenhos não sustentam um roteiro lixo. É por isso que nosso desenho tosco da ATUM tem alguma chance :-). "Yes, nos temos roteiro", mas muitos do meio estão ligando mais para a imagem mesmo. Enquanto os palestrantes falavam eu revia o logotipo criado pelo Renato Canini para essa edição, muito criativo, é um pequeno napoleão com um chapéu de balão. É um desenho com o qual busco me insperar, reparem as inúmeras linhas abertas, sugestivas, quase nada fecha, acho isso excelente. Reparem também o Edu aí do lado...

Canini trilha marcas para todos nós desenhistas nacionais.

Não fiquei para ouvir todas as perguntas, estava um pouco preocupado em não deixar o stand desguarnecido, e não pude conferir a palestra seguinte de humor-gráfico com Cizo Felder, Liniers e Duke, que também muito me interessava. Se não me engano, Felder é um dos franceses responsáveis pelo excelente mercado Ferraile que já mencionei nesse post.

Pra finalizar, o fim de noite foi um pouco mais tranquilo, tomando cuidado para não molhar demais as revistas. No entanto, enquanto isso, no lado de fora, meu carro estava sendo rebocado... Damn Traffic! E maldito contra-cheque que chegou hoje, mas não veio junto o pagamento. Essas depois eu conto. Amanhã começam as oficinas Master!